Ministra da Igualdade Racial afirma que termos “buraco negro” e “denegrir” são racistas

Nesta quarta-feira (01), a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou, em uma entrevista no programa “Bom dia, Ministro,” que os termos “buraco negro” e “denegrir” são racistas. A afirmação gerou indignação e críticas por parte de diversas personalidades e, naturalmente, abriu espaço para uma discussão sobre a utilização da linguagem.

Anielle alegou que termos como “denegrir” são inaceitáveis, afirmando que o movimento negro e pessoas com “letramento racial” não os utilizam. Além disso, ela mencionou o uso comum da expressão “saímos desse buraco negro” como exemplo de racismo velado. A ministra disse que costuma corrigir as pessoas que utilizam tais termos, defendendo “formas de reparação” por meio da comunicação.

Entretanto, as reações à declaração da ministra foram bastante diversas. O advogado José Antônio Rosa classificou as palavras de Anielle Franco como “estupidez em palavras,” criticando a postura da ministra e chamando-a de hipócrita. O presidente do partido Novo, Eduardo Ribeiro, questionou o salário da ministra e os gastos milionários da pasta da Igualdade Racial, insinuando que o foco deveria ser em questões mais importantes.

A discussão sobre o uso da linguagem não é nova, e este episódio traz à tona um debate mais amplo sobre até onde deve ir a correção linguística em nome da igualdade racial. No ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral lançou a cartilha “Expressões racistas: por que evitá-las,” que listava termos como “esclarecer,” “escravo,” “meia-tigela,” e “nega maluca” como passíveis de exclusão, argumentando que tais palavras seriam ofensivas a pessoas negras.

A educadora Cíntia Chagas expressou sua indignação em sua rede social, chamando a abordagem da ministra de “letramento irracional” e apontando que a tentativa de censurar termos como “denegrir” e “buraco negro” carece de base linguística sólida. Chagas argumenta que palavras como “negro” e “preto” são antíteses de “branco” e que se referem a cores, não a conotações racistas. Ela também destaca que o uso de “buraco negro” se relaciona a fenômenos astronômicos e não à conotação racial.

 

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