Marrocos sofreu uma tragédia devastadora na noite de sexta-feira (08), quando um poderoso terremoto de magnitude 7,2 atingiu as montanhas do Alto Atlas. Este terremoto, o mais mortal no país em mais de seis décadas, ceifou a vida de mais de 800 pessoas e deixou centenas de outras feridas. Vilarejos remotos nas montanhas foram os mais afetados, com equipes de resgate trabalhando incansavelmente para encontrar sobreviventes entre os escombros.

O epicentro do terremoto foi localizado a cerca de 60 quilômetros ao sul de Marrakech, cidade mais próxima, onde 13 mortes foram confirmadas. Em Amizmiz, uma aldeia nas proximidades, equipes de resgate escavaram os destroços de casas em busca de sobreviventes. Os relatos são angustiantes, com muitas famílias perdendo seus queridos.

Mohamed Azaw, um morador de Amizmiz, tem seu trágico relato: “Quando senti a terra tremer sob meus pés e a casa inclinar-se, corri para tirar meus filhos. Mas meus vizinhos não conseguiram. Infelizmente, não foi encontrado ninguém vivo naquela família. Pai e filho foram encontrados mortos, e ainda procuram a mãe e a filha.”

As cenas de desespero se espalharam por toda a região afetada. Em Marrakech, onde edifícios históricos da cidade antiga, um Patrimônio Mundial da UNESCO, sofreram danos, os moradores passaram a noite ao relento com medo de voltar para suas casas. O minarete de uma mesquita na Praça Jemaa al-Fna, no coração da cidade velha, desabou.

O professor Hamid Afkar, de Taroudant, descreveu o momento em que o terremoto sacudiu sua casa: “A terra tremeu por cerca de 20 segundos. As portas abriram e fecharam sozinhas enquanto eu descia correndo as escadas do segundo andar.”

A solidariedade internacional já se faz presente, com governos de todo o mundo oferecendo assistência. A Turquia, que recentemente sofreu fortes terremotos, está pronta para fornecer apoio.

O terremoto de sexta-feira é considerado o mais mortal em Marrocos desde 1960, quando se estima que tenha sido matado pelo menos 12 mil pessoas, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA. A área de Ighil, onde o epicentro estava localizado, é uma região montanhosa com pequenas aldeias agrícolas, situada a cerca de 70 milhas a sudoeste de Marraquexe.