O uso frequente e contínuo de antibióticos durante a infância e adolescência pode estar associado a um aumento no risco de desenvolvimento precoce de adenomas e câncer colorretal, especialmente em indivíduos portadores de uma variante específica de um gene regulador relacionado à microbiota intestinal, de acordo com um recente estudo publicado no International Journal of Cancer.

A Investigação

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Zhejiang, China, liderados por Fangyuan Jiang, realizaram um estudo meticuloso analisando dados do UK Biobank, uma abrangente base de dados biológicos da população britânica, composta por indivíduos recrutados entre 2006 e 2010, cujo acompanhamento se estendeu até fevereiro de 2022. O objetivo da pesquisa foi explorar a relação entre o uso regular ou recorrente de antibióticos na infância e adolescência e o risco de câncer colorretal precoce.

A Metodologia e Resultados

Os cientistas investigaram as associações entre fatores ligados à infância e adolescência e o risco global de câncer colorretal precoce, com um foco particular no uso contínuo de antibióticos. Para isso, analisaram dados de 113.256 participantes, identificando 165 casos de câncer colorretal precoce e 719 casos de adenomas colorretais precoces.

Os resultados indicaram que o uso regular ou recorrente de antibióticos na infância e adolescência foi formalmente associado a um aumento do risco de câncer colorretal precoce, com uma razão de chances de 1,48 e um valor P de 0,046. Também houve uma relação significativa com adenomas colorretais precoces, onde a razão de chances foi de 1,40, com um valor P inferior a 0,001.

Importância das Variantes Genéticas

Além disso, os pesquisadores avaliaram como as variantes genéticas influenciam essa associação. Embora o risco de câncer colorretal precoce tenha sido aparentemente mais alto em indivíduos com a variante TT rs281377 do gene regulador da microbiota intestinal (FUT2), as estimativas não alcançaram significância estatística. No entanto, uma forte associação positiva foi encontrada entre o uso contínuo de antibióticos e o risco de adenomas, especialmente em pacientes com os genótipos TT rs281377 (RC de 1,75) e CT (RC de 1,51).

Considerações Práticas e Implicações

Os autores do estudo destacam a importância desses achados para a saúde pública. Indivíduos com fatores de risco genético, como histórico familiar de câncer colorretal, que fizeram uso regular de antibióticos durante a infância e adolescência, possivelmente enfrentam um aumento no risco de câncer colorretal precoce. Contudo, ressaltam a necessidade de um equilíbrio entre os benefícios dos antibióticos no tratamento de infecções bacterianas nesses grupos etários e os riscos potenciais.

Limitações do Estudo

É importante mencionar que o estudo se baseou em relatos dos próprios participantes sobre o uso de antibióticos na infância e adolescência, o que pode introduzir possíveis viéses de memória e resultar em uma avaliação incorreta da exposição aos antimicrobianos.

Conclusão

Os resultados deste estudo adicionam uma peça significativa ao complexo quebra-cabeça do câncer colorretal, evidenciando uma possível associação entre o uso de antibióticos durante a juventude e o risco aumentado de câncer colorretal precoce. A investigação destaca a necessidade de mais estudos para esclarecer completamente essa relação e oferece um lembrete essencial sobre a importância de pesar cuidadosamente os benefícios e riscos dos antibióticos, especialmente em populações de risco.