

Em um depoimento prestado perante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os atos ocorridos em 8 de Janeiro, o ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, destacou sua colaboração na transição de governo e refutou qualquer questionamento em relação aos resultados das eleições que consagraram a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante seu depoimento, Anderson Torres enfatizou ter sido o primeiro ministro a acolher a equipe de transição, liderada pelo atual ministro Flávio Dino, que estava destinado a sucedê-lo. O ex-ministro afirmou que, ao longo do processo de transição, manteve uma postura transparente e colaborativa, fornecendo relatório e facilitando todas as etapas necessárias. Ele garantiu que não houve contratempo relevante durante esse período e que tudo transcorreu de forma normal no âmbito do Ministério da Justiça.
No entanto, uma sessão de depoimento trouxe à tona divergências quanto aos alertas recebidos sobre possíveis riscos de ataques às sedes dos Três Poderes. Torres contradisse o ex-diretor adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Saulo Moura da Cunha, que havia afirmado perante uma comissão ter emitido alertas a autoridades através de um grupo de Whatsapp. O ex-ministro alegou não ter recebido qualquer notificação específica sobre a ameaça, indicando que o Ministério da Justiça não tinha controle sobre a cadeia de informações provenientes das 48 agências.
Diante dessa divergência, Saulo Moura da Cunha explicou que as agências de inteligência têm a responsabilidade de manter todas as partes envolvidas envolvidas, mas que não tinha o poder de afirmar se o Ministério da Justiça havia lido ou não os alertas emitidos.
O depoimento de Anderson Torres levantou questionamentos entre os parlamentares da CPMI, evidenciando a complexidade das acomodações entre os diferentes órgãos e agências de inteligência. Enquanto o ex-ministro reiterou sua cooperação na transição e enfatizou a normalidade do processo, a questão dos alertas não respondidos contínuos a lançar luz sobre os eventos que cercaram os acontecimentos de 8 de Janeiro.






